Entre os dias 08 e 09 de Abril de
2026, o Instituto de Investigação Agrária de Moçambique (IIAM) e o Instituto
Internacional de Agricultura Tropical (IITA), em colaboração com a Comissão do
Curso de Águas do Zambeze (ZAMCOM), realizaram dias de campo nas comunidades de
Ndundu e Calomué, no distrito de Angónia, província de Tete. A iniciativa
enquadra-se no Projecto da Bacia do Zambeze, no âmbito do Programa para o
Desenvolvimento Integrado e Adaptação às Alterações Climáticas
(PIDACC-Zambeze), com o objectivo de reforçar a resiliência climática, aumentar
a produtividade agrícola e promover a sustentabilidade ambiental, através da
geração de recomendações agronómicas específicas e baseadas em dados locais.
O
evento contou com a participação de representantes de diversas entidades
públicas e privadas, com destaque para a chefe da localidade de Calomué,
estudantes finalistas do curso de Engenharia Agro-Pecuária e docentes da
Universidade Zambeze, a Solidariedad Moçambique, a União Provincial de
Camponeses de Tete (UPCT), a União Distrital de Camponeses de Angónia (UDAC),
bem como técnicos dos Serviços Distritais de Actividades Económicas (SDAE),
acompanhados pelo Supervisor Distrital em representação do Director, para além
de produtores locais.
As
actividades envolveram produtores provenientes das comunidades de Chigodi,
Ndundu, Matewere, Chiphole, Dómuè, Chabwalo e Calomué. No total, participaram
163 produtores, dos quais 105 homens e 58 mulheres, para além de estudantes,
extensionistas e técnicos de diferentes instituições.
O
dia de campo foi estruturado em duas componentes principais: demonstração
prática dos resultados de campo e sessões de discussão participativa. As
demonstrações tiveram como objectivo apresentar tecnologias e práticas
agrícolas resilientes às mudanças climáticas, com foco no aumento da
produtividade e na sustentabilidade ambiental. Entre as práticas destacadas incluem-se
a produção de soja com uso de inoculantes, a combinação de inoculação,
fertilização e variedades de alto potencial produtivo, práticas recomendadas
para o cultivo de milho, uso adequado de fertilizantes, características das
variedades, épocas de plantio e espaçamentos adequados para as culturas de
milho e soja.
As
sessões foram conduzidas de forma participativa, promovendo a interacção entre
produtores, extensionistas e facilitadores. Durante as actividades, os
participantes tiveram a oportunidade de partilhar experiências, discutir
desafios enfrentados nas suas áreas de produção e esclarecer dúvidas
relacionadas com o cultivo de milho e soja. Esta abordagem permitiu a
comparação prática e visual do impacto da fertilização no crescimento e
desenvolvimento das culturas, bem como no desempenho produtivo das variedades
avaliadas.
Durante
as actividades práticas, foram avaliadas diferentes variedades de soja (Glycine
max L.), seleccionadas com base no seu potencial produtivo e adaptação às
condições agroecológicas locais, bem como variedades de milho comparando
práticas do produtor, práticas recomendadas na região e recomendações
específicas baseadas em dados locais.
Os
produtores participantes demonstraram elevado nível de interesse e satisfação
com as actividades realizadas, evidenciando a relevância da iniciativa para as
comunidades envolvidas. De acordo com os participantes, o milho desempenha um
papel fundamental na segurança alimentar e nutricional, enquanto a soja
constitui uma importante fonte de rendimento para os agregados familiares
rurais. No final, os produtores manifestaram interesse na expansão do projecto
para outras comunidades ainda não abrangidas por este tipo de intervenções e
demonstrações de tecnologias agrícolas melhoradas.
Texto: Mateus Mapaure
Fotos: IIAM-DRC
