Foi
realizado, em Sussundenga, um workshop dedicado à apresentação dos resultados
de uma pesquisa sobre a conservação das espécies medicinais na paisagem de
Chimanimani. O evento contou com a presença do excelentíssimo Secretário
Permanente do distrito de Sussundenga, Juvêncio Fulede, e do delegado do Centro
Zonal Centro, Eng. Alcídio dos Santos Vilanculos. Estiveram igualmente
presentes representantes da Direcção Distrital de Saúde, da Direcção Distrital
de Infraestruturas de Sussundenga, o administrador do Parque Nacional de
Chimanimani e membros das comunidades envolvidas no estudo.
Durante
a abertura, o Secretário Permanente destacou a grande relevância do evento,
sublinhando que ele aborda questões directamente ligadas ao interesse comum.
Reforçou que, enquanto seres humanos, temos o dever de preservar o que é nosso,
lembrando que muitas ameaças à biodiversidade são causadas pela acção humana.
Enfatizou ainda que os resultados apresentados constituem uma base importante
para orientar acções de conservação das plantas medicinais, que desempenham um
papel essencial na sociedade. Acrescentou que é fundamental garantir a sua
preservação para que não desapareçam, permitindo que as gerações futuras também
as possam conhecer e utilizar.
No
seu discurso, o delegado do Centro Zonal Centro destacou os cuidados
necessários durante a limpeza das machambas para o cultivo de culturas como
milho, feijão, mapira e mandioca, alertando para a importância de proteger as
demais plantas presentes nos campos, especialmente as medicinais. Reforçou
ainda a relevância destas plantas, dado que todos, em algum momento, podem necessitar
dos seus benefícios.
O
evento incluiu momentos de debate sobre os resultados da pesquisa, nos quais
vários participantes partilharam dúvidas e opiniões acerca da importância das
plantas medicinais no tratamento de diversas doenças nas comunidades. O estudo
foi coordenado pela Dra. Elina Langa, investigadora do IIAM na Estação
Florestal de Mandone, que apresentou os riscos que estas espécies enfrentam
devido às mudanças climáticas. A investigação foi realizada em parceria com o
Parque Nacional de Chimanimani, financiada pela GEF, e conduzida em duas
comunidades: Moribane e Tsetsera, ambas situadas dentro da área do parque.
Os
resultados indicam que as espécies medicinais na zona tampão poderão ser mais
negativamente afectadas pelo aumento da temperatura do que aquelas situadas na
zona de preservação total. O desmatamento associado às alterações climáticas
representa uma ameaça significativa às espécies medicinais em Moribane; já em
Tsetsera, o clima, aliado ao ambiente caracterizado por afloramentos rochosos e
à colecta insustentável das plantas, pode, no futuro, transformar a floresta em
área desértica. Esses achados contribuirão para o desenvolvimento de
estratégias de conservação da paisagem no Parque Nacional de Chimanimani.
O
workshop contou também com uma exposição na qual as duas comunidades
apresentaram diversas plantas medicinais, demonstrando sua utilização no
tratamento de doenças como infertilidade e na purificação de órgãos, entre
outras. A demonstração despertou grande curiosidade entre os participantes, que
tiveram a oportunidade de observar as plantas e aprender os modos de preparo
das receitas tradicionais. As intervenções feitas durante a exposição motivaram
novas reflexões e reforçaram a necessidade de aprofundar pesquisas para
identificar mais espécies medicinais, dada a importância que têm para a
sociedade.












